Ex-presidente foi destituído pelo Senado por 44 votos e teve detenção domiciliar determinada pelo Ministério Público. Escândalo envolvendo o Ueno Bank provocou uma grave crise política e financeira no país.
O Paraguai vive um dos momentos mais turbulentos de sua história política recente. O ex-presidente Santiago Peña teve a prisão domiciliar determinada pelo Ministério Público nesta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído pelo Senado em um processo de impeachment.
A decisão está relacionada às investigações sobre o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em crise e deixou milhões de clientes preocupados com o acesso às próprias economias.
A destituição de Peña ocorreu com 44 votos favoráveis no Senado. Com a perda do cargo e das proteções institucionais associadas à presidência, o ex-mandatário passou a enfrentar diretamente as investigações criminais.
O caso começou a ganhar proporções nacionais depois que o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, apontando problemas relacionados aos requisitos mínimos de solvência da instituição.
A crise atingiu aproximadamente 2,9 milhões de clientes, em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes.
O episódio provocou preocupação entre correntistas, aposentados e investidores, além de questionamentos sobre a utilização de recursos públicos e possíveis relações entre autoridades políticas e os responsáveis pela instituição financeira.
Durante o processo de impeachment, parlamentares acusadores mencionaram possíveis prejuízos de aproximadamente US$ 1,2 bilhão aos cofres e interesses públicos paraguaios.
O Ministério Público determinou a detenção domiciliar de Santiago Peña e também investigou Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central paraguaio.
As investigações envolvem suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis crimes financeiros relacionados ao colapso do banco.
A ordem de detenção foi emitida após a destituição de Peña, que perdeu as proteções institucionais que possuía como presidente.
É importante destacar que a determinação de prisão não representa, por si só, uma condenação criminal definitiva. O caso ainda depende dos procedimentos judiciais e da análise das provas.
Pela legislação paraguaia, a pessoa detida deve ser apresentada a um juiz em até 24 horas, que poderá decidir pela prisão preventiva, aplicação de medidas alternativas ou liberdade.
Com a saída de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai.
Em seu primeiro pronunciamento, Alliana prometeu trabalhar para ressarcir integralmente os clientes prejudicados pela crise financeira.
A nova administração terá o desafio de recuperar a confiança da população no sistema bancário, reorganizar as instituições públicas e conduzir o país em meio às investigações.
A queda de Santiago Peña representa mais um episódio de instabilidade política na América do Sul e coloca o Paraguai no centro das atenções internacionais.
O país enfrenta agora uma combinação de crise institucional, questionamentos sobre a fiscalização bancária e preocupação com o dinheiro de milhões de cidadãos.
O desfecho das investigações poderá ter consequências importantes para a política paraguaia e para a relação entre o poder público e o sistema financeiro.