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Paraguai: Justiça determina prisão de Santiago Peña após impeachment e crise bilionária envolvendo banco
Ex-presidente foi destituído pelo Senado por 44 votos e teve detenção domiciliar determinada pelo Ministério Público
06/11/2026 23h26 Atualizada há 3 horas
Por: Maranhão Noticias
O presidente está sendo acusado por crimes como tráfico de influência e gestão fraudulenta. — Foto: EPA

Ex-presidente foi destituído pelo Senado por 44 votos e teve detenção domiciliar determinada pelo Ministério Público. Escândalo envolvendo o Ueno Bank provocou uma grave crise política e financeira no país.

O Paraguai vive um dos momentos mais turbulentos de sua história política recente. O ex-presidente Santiago Peña teve a prisão domiciliar determinada pelo Ministério Público nesta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído pelo Senado em um processo de impeachment.

A decisão está relacionada às investigações sobre o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em crise e deixou milhões de clientes preocupados com o acesso às próprias economias.

A destituição de Peña ocorreu com 44 votos favoráveis no Senado. Com a perda do cargo e das proteções institucionais associadas à presidência, o ex-mandatário passou a enfrentar diretamente as investigações criminais.

Crise bancária desencadeou queda do presidente

O caso começou a ganhar proporções nacionais depois que o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, apontando problemas relacionados aos requisitos mínimos de solvência da instituição.

A crise atingiu aproximadamente 2,9 milhões de clientes, em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes.

O episódio provocou preocupação entre correntistas, aposentados e investidores, além de questionamentos sobre a utilização de recursos públicos e possíveis relações entre autoridades políticas e os responsáveis pela instituição financeira.

Durante o processo de impeachment, parlamentares acusadores mencionaram possíveis prejuízos de aproximadamente US$ 1,2 bilhão aos cofres e interesses públicos paraguaios.

Por que Santiago Peña teve a prisão determinada?

O Ministério Público determinou a detenção domiciliar de Santiago Peña e também investigou Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central paraguaio.

As investigações envolvem suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis crimes financeiros relacionados ao colapso do banco.

A ordem de detenção foi emitida após a destituição de Peña, que perdeu as proteções institucionais que possuía como presidente.

É importante destacar que a determinação de prisão não representa, por si só, uma condenação criminal definitiva. O caso ainda depende dos procedimentos judiciais e da análise das provas.

Pela legislação paraguaia, a pessoa detida deve ser apresentada a um juiz em até 24 horas, que poderá decidir pela prisão preventiva, aplicação de medidas alternativas ou liberdade.

Pedro Alliana assume a presidência

Com a saída de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai.

Em seu primeiro pronunciamento, Alliana prometeu trabalhar para ressarcir integralmente os clientes prejudicados pela crise financeira.

A nova administração terá o desafio de recuperar a confiança da população no sistema bancário, reorganizar as instituições públicas e conduzir o país em meio às investigações.

Um episódio histórico para a América do Sul

A queda de Santiago Peña representa mais um episódio de instabilidade política na América do Sul e coloca o Paraguai no centro das atenções internacionais.

O país enfrenta agora uma combinação de crise institucional, questionamentos sobre a fiscalização bancária e preocupação com o dinheiro de milhões de cidadãos.

O desfecho das investigações poderá ter consequências importantes para a política paraguaia e para a relação entre o poder público e o sistema financeiro.