Empresário de 52 anos e integrante do Partido Colorado, Alliana construiu carreira no Legislativo e no Executivo paraguaio. Agora, assume o comando do país em meio a uma crise política e financeira envolvendo o Ueno Bank.
O Paraguai tem um novo presidente. Pedro Alliana assumiu oficialmente a Presidência da República na sexta-feira (6), após a destituição de Santiago Peña pelo Congresso Nacional. A mudança ocorreu em meio a uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição cuja intervenção provocou preocupação entre milhões de correntistas.
Aos 52 anos, Alliana chega ao principal cargo político do país após uma trajetória marcada por funções importantes no Partido Colorado, uma das principais forças políticas paraguaias.
Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez nasceu em 19 de fevereiro de 1974, na cidade de Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai.
Antes de entrar na política, trabalhou como empresário no setor comercial. Também teve passagem pelo esporte, chegando a integrar a seleção paraguaia de basquete em 1991.
Sua trajetória política começou a ganhar força em 2008, quando assumiu o governo departamental de Ñeembucú, permanecendo no cargo até 2012.
Em 2013, foi eleito deputado nacional. Durante sua passagem pela Câmara dos Deputados, chegou a ocupar a presidência da Casa em diferentes períodos.
Entre 2016 e 2023, também presidiu o Partido Colorado, representando o grupo político ligado ao ex-presidente Horacio Cartes.
Em 2023, foi eleito vice-presidente na chapa de Santiago Peña, chegando ao Executivo nacional.
A chegada de Alliana ao poder aconteceu após uma crise que abalou o governo de Santiago Peña.
O episódio começou com a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição financeira que enfrentou problemas relacionados à liquidez e deixou milhões de clientes preocupados com o acesso aos próprios recursos.
Peña passou a enfrentar questionamentos sobre seus antigos vínculos empresariais com controladores da instituição financeira.
O Congresso iniciou um processo de impeachment, que terminou com a destituição do presidente pelo Senado, em votação de 44 votos favoráveis e nenhum contrário.
Com a saída de Peña, a sucessão constitucional levou Alliana à Presidência.
Em seu primeiro discurso como chefe de Estado, Alliana prometeu trabalhar para indenizar integralmente os clientes prejudicados pela crise financeira do Ueno Bank.
O novo presidente também afirmou que pretende priorizar a transparência administrativa e recuperar a confiança da população nas instituições públicas.
A situação econômica será um dos principais desafios de sua administração. O governo precisará acompanhar a liberação dos recursos bloqueados, proteger os correntistas e evitar que a crise financeira provoque consequências mais amplas para a economia paraguaia.
Alliana assumiu para completar o mandato presidencial iniciado em 2023, com previsão de encerramento em agosto de 2028.
A mudança também altera os planos políticos do Partido Colorado, que anteriormente tinha Alliana entre os nomes cotados para a disputa presidencial de 2028.
A legislação paraguaia não permite a reeleição presidencial consecutiva, o que torna a sucessão política um dos assuntos que deverão ganhar espaço nos próximos meses.
A mudança de governo no Paraguai também interessa diretamente ao Brasil.
Os dois países mantêm relações comerciais, diplomáticas e energéticas importantes, especialmente por meio do Mercosul e da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Após a posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimentou Alliana e manifestou interesse em fortalecer a cooperação bilateral.
A estabilidade política e financeira paraguaia é importante para o Brasil, especialmente pela proximidade geográfica e pela integração econômica entre os dois países.