Após ser destituído pelo Congresso e colocado em prisão domiciliar, ex-mandatário foi transferido para o Regimento de Escolta Presidencial em meio a protestos e tensão nas ruas de Assunção.
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi retirado de sua residência pouco antes da meia-noite de sexta-feira (6), em uma operação acompanhada por uma caravana de veículos oficiais. Imagens divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color mostram o momento em que o comboio deixou o imóvel sob vaias, insultos e ovos arremessados por moradores.
Peña foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar responsável por atividades de segurança e proteção de autoridades. Segundo a justificativa oficial, a transferência ocorreu por razões de segurança, depois de manifestações e confrontos nas proximidades de sua residência.
A movimentação aconteceu após grupos de manifestantes se concentrarem em frente à casa do ex-presidente, no bairro de Mbocayaty, em Assunção.
Os protestos reuniram pessoas que cobravam medidas mais rigorosas contra Peña e criticavam sua permanência em prisão domiciliar. Durante os episódios de tensão, houve confronto entre manifestantes e policiais.
Segundo o ABC Color, um comissário ficou ferido por um projétil, e a Polícia também informou sobre a possível presença de infiltrados entre os manifestantes.
Pelo menos quatro caminhonetes participaram da saída do comboio. Em uma delas estava Santiago Peña. Moradores acompanharam a movimentação e arremessaram ovos contra os veículos, além de gritar palavras de protesto.
A transferência acontece em um dos momentos mais delicados da história política recente do Paraguai.
Na sexta-feira (6), Santiago Peña foi destituído pelo Congresso após um processo de impeachment relacionado à crise do Ueno Bank, instituição financeira cuja quebra provocou uma grave turbulência econômica e atingiu milhares de correntistas.
As investigações examinam suspeitas de irregularidades financeiras, operações envolvendo empresas relacionadas ao grupo controlador e possíveis falhas na fiscalização do sistema bancário.
Peña foi colocado em prisão domiciliar por determinação do Ministério Público, enquanto as autoridades avançam nas apurações sobre possíveis crimes relacionados ao caso.
O ex-presidente nega as acusações.
De acordo com o ABC Color, a justificativa oficial para a transferência foi a necessidade de preservar a segurança do ex-mandatário após os incidentes registrados diante de sua residência.
O Regimento de Escolta Presidencial é uma unidade das Forças Armadas paraguaias que atua na proteção de autoridades e instalações estratégicas.
Até a publicação da reportagem, não havia esclarecimento público completo sobre a autorização judicial ou ministerial para a mudança de local, nem sobre as condições específicas em que Peña permaneceria na unidade militar.
Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai e passou a responder pelo restante do mandato, previsto até 2028.
A mudança no comando do Executivo ocorre em meio à pressão popular, às investigações sobre o sistema financeiro e à cobrança por esclarecimentos sobre a gestão de recursos públicos.
O caso do Ueno Bank deixou de ser apenas uma crise bancária e se transformou em uma crise institucional que colocou em discussão a fiscalização financeira e a responsabilidade das autoridades paraguaias.
Vários manifestantes jogando ovos no carro do ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, que renunciou para não sofrer impeachment, mas acabou preso e foi retirado de sua casa com escolta. https://t.co/CvtxahMG2W
— Sérgio Santos (@ZAMENZA) November 7, 2026