Política JUSTIÇA ELEITORAL
Tesouraço de Flávio”: Mendonça interrompe julgamento após maioria do TSE votar contra retirada de vídeo de Lula
Placar estava em 4 a 3 pela derrubada da decisão que retirou a propaganda do ar. Pedido de destaque transfere o caso para julgamento presencial e mantém a restrição até nova análise.
15/10/2026 13h08
Por: Maranhão Noticias

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), interrompeu nesta quinta-feira (15) o julgamento sobre a retirada de um vídeo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que critica as propostas econômicas do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão ocorreu depois que a maioria dos ministros votou contra a determinação de Mendonça que havia ordenado a remoção do conteúdo. 

O placar no plenário virtual estava em quatro votos a três pela reversão da decisão. Diante desse resultado, Mendonça apresentou um pedido de destaque, mecanismo que transfere a análise para o plenário presencial e interrompe o julgamento virtual.

Com isso, a ordem de retirada do vídeo continua em vigor até que o tribunal volte a analisar o caso. Portanto, apesar da maioria formada contra a decisão original, ainda não há uma decisão definitiva sobre a liberação da propaganda. 

O que dizia o vídeo de Lula?

A publicação, divulgada nas redes sociais do presidente, relacionava o chamado “tesouraço” defendido pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro a possíveis cortes em programas sociais e políticas públicas.

Entre os programas citados estavam o Pé-de-Meia, o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida, a merenda escolar e o Gás do Povo. O vídeo afirmava que uma redução de R$ 200 bilhões no orçamento poderia comprometer essas iniciativas. 

A campanha de Flávio contestou o conteúdo e pediu sua retirada. O argumento foi que a propaganda atribuía ao senador a intenção de cortar recursos de programas específicos sem apresentar comprovação suficiente.

Por que Mendonça mandou retirar a publicação?

Ao determinar a remoção, Mendonça considerou que o vídeo atribuía ao adversário propostas específicas que, na avaliação do ministro, não estavam respaldadas pelos elementos disponíveis.

O magistrado também citou o plano de governo de Flávio Bolsonaro, que prevê a manutenção dos programas sociais existentes. Na decisão, entendeu que a propaganda ultrapassava os limites da crítica política ao apresentar como certa uma consequência que não estaria demonstrada documentalmente. 

A ordem estabeleceu prazo de três horas para a retirada da publicação e previu multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento ou republicação do mesmo conteúdo.

Como votaram os ministros do TSE?

O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, e o ministro Dias Toffoli acompanharam o entendimento de Mendonça.

Em sentido contrário, a ministra Estela Aranha abriu divergência, defendendo a liberação do conteúdo. Ela foi acompanhada por Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior e Floriano de Azevedo Marques.

O resultado parcial ficou em quatro votos contra a decisão de retirada e três favoráveis à sua manutenção. O pedido de destaque, entretanto, impediu a conclusão do julgamento no plenário virtual. 

O que significa o pedido de destaque?

O pedido de destaque transfere a análise de um processo do ambiente virtual para uma sessão presencial. Na prática, a votação virtual é interrompida, e o tribunal deverá retomar a discussão conforme os procedimentos aplicáveis ao caso.

A medida não significa, por si só, que Mendonça tenha vencido o julgamento nem que a maioria formada tenha sido anulada por uma decisão definitiva sobre o mérito. O efeito imediato é manter a determinação anterior até nova deliberação do TSE.

A data da retomada e o resultado final dependerão dos próximos atos processuais.

Liberdade de expressão e propaganda eleitoral

O caso coloca em discussão os limites entre a crítica política, a liberdade de expressão e a divulgação de afirmações sobre propostas de adversários durante uma campanha eleitoral.

De um lado, a Justiça Eleitoral deve coibir propaganda que apresente informações falsas ou atribua propostas sem fundamento. De outro, o debate eleitoral exige espaço para críticas, questionamentos e discussões sobre os possíveis efeitos de políticas econômicas.

O ponto central do processo é saber se a associação feita pelo vídeo entre o “tesouraço” e cortes em programas sociais constitui crítica política legítima ou atribuição de medidas específicas sem sustentação suficiente.

A decisão final do TSE deverá esclarecer como esses limites serão aplicados ao conteúdo questionado.

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