O advogado Willer Tomaz, proprietário do Sistema Difusora de Comunicação, no Maranhão, movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas on-line ao longo de 2025, segundo nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. O documento, divulgado pela imprensa nesta terça-feira (20), aponta o advogado como a pessoa física com maior volume de depósitos em plataformas de apostas no país naquele ano.
De acordo com informações publicadas pelo UOL e confirmadas por outros veículos, Tomaz depositou mais de R$ 258 milhões na plataforma Blaze, controlada pela empresa Foggo Entertainment. O relatório também registra aproximadamente R$ 200 milhões em saques e cerca de R$ 350 milhões em operações somadas de depósitos e retiradas.
A nota técnica questiona os mecanismos de monitoramento utilizados pela empresa responsável pela plataforma. Segundo o documento, operações de valores elevados e realizadas em intervalos curtos deveriam ter recebido análise específica para verificar possíveis riscos financeiros.
A Secretaria de Prêmios e Apostas identificou falhas nos procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro e recomendou medidas administrativas contra a empresa. As conclusões do órgão não equivalem, por si só, a uma condenação criminal do apostador ou da plataforma.
As movimentações financeiras também estão relacionadas a investigações da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades. Segundo as reportagens, os investigadores apuram a hipótese de que as operações possam ter sido utilizadas para simular apostas ou ocultar a origem de recursos. Essas suspeitas ainda precisam ser apuradas, e não representam prova definitiva de crime.
A defesa de Willer Tomaz afirma que os recursos utilizados têm origem lícita e são compatíveis com seus rendimentos declarados. O advogado também argumenta que o volume total de apostas inclui reapostas sucessivas dos mesmos valores, não correspondendo necessariamente a dinheiro novo depositado.
Willer Tomaz também é descrito pela imprensa como amigo do senador Flávio Bolsonaro. Reportagens anteriores apontaram relações entre o advogado e pessoas ligadas ao político, incluindo informações sobre o custeio de uma viagem em aeronave da qual uma empresa de Tomaz possuía participação.
A existência dessa relação pessoal não comprova participação de Flávio Bolsonaro nas movimentações investigadas. Qualquer responsabilidade individual depende de elementos específicos e da apuração das autoridades competentes.
O caso reúne questões sobre fiscalização do mercado de apostas, transparência financeira e cumprimento das regras de prevenção a crimes financeiros. As investigações e eventuais procedimentos administrativos deverão esclarecer as responsabilidades envolvidas.
Fontes: UOL | CNN Brasil | Exame
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