
Após perder a disputa presidencial, senador muda o discurso sobre o resultado das urnas, questiona a lisura da eleição e afirma que foi alvo de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, anunciou que pretende pedir a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira (26), o parlamentar também afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A declaração marca uma mudança na estratégia anunciada pelo senador após a apuração. No domingo (25), Flávio havia falado em pedir a anulação das eleições. No novo pronunciamento, passou a defender a cassação da chapa adversária, alegando suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha.
O senador voltou a afirmar que a eleição não teria ocorrido em condições normais e acusou o governo federal de utilizar recursos públicos para favorecer a candidatura petista. Flávio também questionou a ampliação do horário de votação em determinadas localidades, determinada pela Justiça Eleitoral.
A medida, porém, havia sido solicitada pelas campanhas dos dois candidatos, embora por motivos diferentes. A campanha de Lula apontou dificuldades relacionadas ao transporte de eleitores, enquanto a de Flávio mencionou chuvas intensas em regiões do país.
Até o momento, as declarações do senador não comprovam irregularidades capazes de alterar o resultado eleitoral. Um pedido de cassação precisará ser apresentado à Justiça Eleitoral, que deverá analisar os argumentos e as provas eventualmente apresentados.
No mesmo pronunciamento, Flávio relatou que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo o senador, a determinação partiu de Alexandre de Moraes e também o impede de deixar o Brasil.
De acordo com informações publicadas pela Agência Brasil, a decisão está sob segredo de Justiça e foi divulgada pelo próprio parlamentar. A medida está relacionada a uma investigação em tramitação no Supremo Tribunal Federal, na qual Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados.
Flávio afirmou que cumprirá a determinação, mas classificou a medida como uma tentativa de intimidação. Ele também questionou o momento em que a decisão foi tomada e negou que tivesse planos de deixar o país.
Como o processo tramita sob sigilo, os fundamentos completos da decisão não estão disponíveis publicamente. Por isso, as explicações sobre os motivos da ordem devem ser atribuídas às declarações do senador e às informações oficialmente divulgadas.
Além de anunciar a iniciativa judicial contra a chapa adversária, Flávio afirmou que pretende reunir parlamentares do PL para organizar a oposição ao próximo governo Lula.
A movimentação indica que o embate político deve continuar após a eleição, agora com a disputa transferida também para o campo jurídico e para o Congresso Nacional. O pedido de cassação, caso formalizado, dependerá da análise da Justiça Eleitoral, enquanto a decisão sobre os passaportes seguirá os trâmites do processo em curso no STF.
O episódio reúne duas frentes de tensão política: a contestação do resultado das urnas e a investigação que envolve o senador. Em ambos os casos, é necessário distinguir as acusações e declarações das decisões que ainda dependem de análise das autoridades competentes.
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